domingo, 31 de outubro de 2010

Pedra nadadora, estória de descoberta de âmbar no RN em 1618

Parte do texto Diálogoas das grandezas do Brasil de 1618 por Ambrósio Fernandes Brandão



Brandonio: Todavia, antes de começar a tratar o que me perguntais, vos hei de contar uma graça ou história que sucedeu, há poucos dias, neste Estado sôbre o achar do âmbar.

Certo homem ia a pescar para a parte da capitania do Rio Grande, em uma enseada que ali faz a costa, e querendo se meter em uma jangada para o efeito, lhe faltava uma pedra de que pudesse fazer fateixa, e lançando os olhos pela praia viu uma, que, ao seu parecer, teve por acomodada para isso, e, tomando-a, atou nela o cabo, e se meteu na jangada para ir fazer sua pescaria; e estando já na parte que queria, porque o vento fazia desgarrar a jangada do pôrto, lançou a sua fateixa ao mar, a qual, como se fôra de cortiça, andava sôbre água; e, vendo que lhe não aproveitava a diligência que tinha feito com aquela fateixa, pois nadava, tornou para terra ao tempo que chegava à praia um seu amigo, também para haver de pescar com outra jangada, e dando-lhe conta do que lhe havia sucedido com aquela pedra que nadava, o outro, que devia ser mais trefego, lhe disse que não tomasse por isso pena, porquanto êle se achava indisposto, e não determinava de pescar, que ali tinha a sua fateixa de que se podia servir.

Aceitou-lhe o outro o oferecimento, e com ela se foi à sua pescaria, deixando a pedra nadadora nas mãos do que novamente chegára, que logo conheceu ser ambar, e tomando às costas se recolheu e fêz-se invisível com ela, aproveitando-se de sua valia, porque pesava quase uma arroba.

Nenhum comentário:

Postar um comentário