Texto em forma de diálogo entre dois personagens, Alviano e Brandônio. Esta parte abaixo é sobra a capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte).
Brandonio: Os capitães passados do Rio Grande tiravam muito proveito de o mandarem resgatar com o gentío, antes da costa estar povoada, e agora, com o estar, cessaram de o fazer; e por isso fica sendo o triênio de sua capitania de pouca importância, a qual está conjunta a esta de Jaguaribe.
Alviano: Pois dizei-me dela.
Brandonio: A capitania do Rio Grande, que foi povoada e fortificada, por mandado de Sua Magestade, por Manuel Mascarenhas Homem, capitão que era de Pernambuco, e por Feliciano Coelho de Carvalho, capitão que era da Paraíba, no ano de 1597, está situada a seis graus da parte do Sul, tem na boca da barra uma fortaleza muito bem provida, assim de soldados pagados da fazenda de Sua Magestade, como de artilharia, com a qual se defende a entrada dos piratas franceses naquele porto, onde costumavam a ir espalmar as suas náus, e a prover-se de água e mantimentos, e ainda a carregar de páu Brasil, que compravam ao gentío da terra a trôco de resgate. Assiste nesta capitania um capitão de Sua Magestade a qual se provê de três em três anos.
Não há nela engenhos de fazer açúcares mais de um até êste ano de 1618, por a terra ser mais disposta para pastos de gado, dos quais abunda em muita quantidade até entrar na capitania da Paraíba que lhe está conjunta.
domingo, 31 de outubro de 2010
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