domingo, 31 de outubro de 2010

Naufrágio e falência na tentativa de povoação da Capitania do Rio Grande

Texto retirado do livro História do Brasil do Frei Vicente do Salvador, escrito em 20 de dezembro de 1627.

Partida de Portugal:

No fim das 25 léguas da terra da capitania de Itamaracá, que el-rei doou a Pero Lopes de Souza, doou, e fez mercê a João de Barros, feitor, que foi da casa da Índia, de 50 léguas por costa; o qual cuidando de se aproveitar a si e a seus amigos, armou com Fernand’Álvares de Andrade, tesoureiro-mor do reino, e Aires da Cunha, que veio por capitão da empresa, mandando com ele dois filhos seus em uma frota de 10 navios, em que vinham 900 homens, e com todo o necessário.


Naufrágio e Mestiçagem com índios do Maranhão:


Deste naufrágio escapou muita gente, com a qual os filhos de João de Barros se recolheram auma ilha, que então se chamava das Vacas, e agora de São Luiz, donde fizeram pazes com o gentio tapuia, que então ali habitava, resgatando mantimentos, e outras coisas, que lhes eram necessárias: e chegou o trato e amizade a tanto que alguns houveram filhos das Tapuias, como se descobriu depois que cresceram, não só porque barbaram, e barbam ainda hoje todos os seus descendentes, como seus pais e avós, senão pelo amor que têm aos portugueses em tanta maneira, que nunca jamais quiseram paz com os outros gentios, nem com os franceses, dizendo que aqueles não eram verdadeiros Peros / que assim chamam aos portugueses, parece por respeito de algum que se chamava Pedro / e, todavia, quando na era de 614 entraram os nossos no Maranhão, logo os vieram ver, e fazer pazes com eles, dizendo que estes eram os seus Peros desejados, de que eles descendiam.

Falência do donatário sem povoação:


João Terceiro fez das capitanias na província de Santa Cruz, que comumente se chama do Brasil, lhe coube uma, a qual lhe custou muita substância de fazenda, por razão de uma armada, que fez em companhia de Aires da Cunha / et cetera, / que é a armada / como temos dito / que arribou, e se foi perder no Maranhão, e daí mandou depois em outros navios buscar seus filhos, donde ficou tão pobre, e endividado, que não pôde mais povoar a sua terra, a qual já agora é de Sua Majestade, por cujo mandado depois se conquistou, e se ganhou ao gentio Potiguar à custa de sua real fazenda.

Cientistas descobrem 1.200 novas espécies na Amazônia em 10 anos

O homem ainda desconhece grande parte da riqueza do ecossistema da Amazônia, tal como aponta um estudo da organização World Wildlife Fund (WWF) publicado nesta segunda-feira, que revela que nos últimos dez anos foram descobertas 1.200 novas espécies, uma a cada três dias. "Mais uma vez se mostra a extraordinária exuberância em biodiversidade de uma região fundamental para o planeta", assinalou em declarações à Efe Francisco Ruiz, chefe da Iniciativa Amazônia Viva, da WWF.

"Os números são contundentes e significa que ainda hoje continuamos descobrindo novas espécies", disse Ruiz, quem enfatizou a importância de cuidar da Amazônia antes de a ação do homem impedir que novas espécies sejam descobertas. Os governos, as ONGs, os cientistas e a sociedade civil "têm de redobrar esforços" para conservar a Amazônia, "já que algumas dessas plantas poderiam ter aplicação farmacológica" e "estamos pondo em perigo espécies", advertiu.

No total, no relatório 'Amazônia Viva!: Uma década de descobertas 1999-2009' se incluem 637 plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 aves e 39 mamíferos, até agora não detectadas, embora algumas possam ter origens pré-históricas.

Veja fotos de algumas espécies novas:

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4755306-EI238,00-Cientistas+descobrem+novas+especies+na+Amazonia+em+anos.html

Pedra nadadora, estória de descoberta de âmbar no RN em 1618

Parte do texto Diálogoas das grandezas do Brasil de 1618 por Ambrósio Fernandes Brandão



Brandonio: Todavia, antes de começar a tratar o que me perguntais, vos hei de contar uma graça ou história que sucedeu, há poucos dias, neste Estado sôbre o achar do âmbar.

Certo homem ia a pescar para a parte da capitania do Rio Grande, em uma enseada que ali faz a costa, e querendo se meter em uma jangada para o efeito, lhe faltava uma pedra de que pudesse fazer fateixa, e lançando os olhos pela praia viu uma, que, ao seu parecer, teve por acomodada para isso, e, tomando-a, atou nela o cabo, e se meteu na jangada para ir fazer sua pescaria; e estando já na parte que queria, porque o vento fazia desgarrar a jangada do pôrto, lançou a sua fateixa ao mar, a qual, como se fôra de cortiça, andava sôbre água; e, vendo que lhe não aproveitava a diligência que tinha feito com aquela fateixa, pois nadava, tornou para terra ao tempo que chegava à praia um seu amigo, também para haver de pescar com outra jangada, e dando-lhe conta do que lhe havia sucedido com aquela pedra que nadava, o outro, que devia ser mais trefego, lhe disse que não tomasse por isso pena, porquanto êle se achava indisposto, e não determinava de pescar, que ali tinha a sua fateixa de que se podia servir.

Aceitou-lhe o outro o oferecimento, e com ela se foi à sua pescaria, deixando a pedra nadadora nas mãos do que novamente chegára, que logo conheceu ser ambar, e tomando às costas se recolheu e fêz-se invisível com ela, aproveitando-se de sua valia, porque pesava quase uma arroba.

Diálogos das grandezas do Brasil - ano 1618

Texto em forma de diálogo entre dois personagens, Alviano e Brandônio. Esta parte abaixo é sobra a capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte).

Brandonio: Os capitães passados do Rio Grande tiravam muito proveito de o mandarem resgatar com o gentío, antes da costa estar povoada, e agora, com o estar, cessaram de o fazer; e por isso fica sendo o triênio de sua capitania de pouca importância, a qual está conjunta a esta de Jaguaribe.

Alviano: Pois dizei-me dela.

Brandonio: A capitania do Rio Grande, que foi povoada e fortificada, por mandado de Sua Magestade, por Manuel Mascarenhas Homem, capitão que era de Pernambuco, e por Feliciano Coelho de Carvalho, capitão que era da Paraíba, no ano de 1597, está situada a seis graus da parte do Sul, tem na boca da barra uma fortaleza muito bem provida, assim de soldados pagados da fazenda de Sua Magestade, como de artilharia, com a qual se defende a entrada dos piratas franceses naquele porto, onde costumavam a ir espalmar as suas náus, e a prover-se de água e mantimentos, e ainda a carregar de páu Brasil, que compravam ao gentío da terra a trôco de resgate. Assiste nesta capitania um capitão de Sua Magestade a qual se provê de três em três anos.

Não há nela engenhos de fazer açúcares mais de um até êste ano de 1618, por a terra ser mais disposta para pastos de gado, dos quais abunda em muita quantidade até entrar na capitania da Paraíba que lhe está conjunta.